O PECADO DO RACISMO
Barras Laterais:
Referências bíblicas:
6 : 10 –18
Efésios 6, 10 – 18
Gálatas 3, 28
1 Coríntios 12, 12-13
Gênesis 16, 1-6
1 João 4, 18
Alguns exemplos:
Uma mulher de origem asiática deixa de ganhar um emprego como recepcionista porque fala inglês com sotaque.
Um homem branco que fale espanhol com sotaque pode ser eleito presidente de um país latino-americano, mas uma pessoa indígena que fale espanhol com sotaque nem entra em cogitação.
Um adolescente negro é testemunha na justiça, depondo que a polícia atacou seu amigo quando o prenderam numa blitz. Depois disso a testemunha foi detida pela polícia em 15 ocasiões diferentes.
O objetivo do estudo sobre Identidade Étnica, Identidade Nacional e a Unidade da Igreja é de ajudar as igrejas a entender suas identidades étnica e nacional específicas na relação com sua unidade no corpo de Cristo, e a se tornarem agentes da reconciliação em seu contexto local, como parte do seu chamado para a unidade visível.
OBJETIVO:
1 . CONSCIENTIZAR AS PESSOAS E AS INSTITUIÇÕES SOBRE A REALIDADE DE QUE O RACISMO É PECADO;
2. OFERECER DEFINIÇÕES DE TRABALHO E OPORTUNIDADES PARA REFLETIR SOBRE A EXPERIÊNCIA DO RACISMO NA PRÓPRIA COMUNIDADE E NO PRÓPRIO CONTEXTO EM QUE SE VIVE;
3. OFERECER UMA BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA PARA ENTENDER QUE RACISMO É PECADO.
• A maioria dos cientistas hoje concordaria em que a categorização dos povos do mundo em raças com base na geografia e em outras características físicas superficiais (cor da pele, cor do cabelo é etc.) não tem base biológica. O racismo representa modos de exclusão, subordinação, inferiorização, exploração e repressão determinados pelo contexto. Hoje em dia é amplamente aceito que raças são um constructo social e que a humanidade pertence a uma única raça: a raça humana. Assim, o termo raça é utilizado nesta Cartilha porque a construção social de raças ainda continua a vigorar nas sociedades.
• O racismo é uma combinação de raça e superioridade racial. Preconceitos sobre raça, sejam eles expressos em termos biológicos ou culturais, há muito que fazem parte do racismo. Esses preconceitos são expressos por meio de conduta irracional e hostil para com pessoas, em idéias, opiniões, chavões e julgamentos baseados em conhecimento errôneo sobre a outra pessoa.
• Para ser eficientes, as estratégias para superação do racismo precisam basear-se no fato de que a discriminação racial e étnica continua sendo parte da mentalidade das pessoas e das estruturas de poder.
• Parte das origens do racismo está na história da expansão européia e do colonialismo bem como, subseqüentemente, na história dos continentes colonizados. As pessoas continuam sujeitas às conseqüências do colonialismo tanto quanto do racismo.
• O racismo vai além das crenças individuais e tem suas raízes em idéias que legitimam práticas sociais e reforçam a distribuição desigual de poder entre grupos designados segundo a raça e etnia. O racismo, portanto, é também uma estrutura de poder.
• O racismo é uma combinação de preconceito e poder.
• A discriminação racial é entendida no contexto desta Cartilha como sendo
(...) qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica, que tenha o objetivo e efeito de anular ou prejudicar o reconhecimento, gozo ou exercício, em pé de igualdade, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no campo político, econômico, social, cultural ou qualquer outro campo da vida pública.4
• O racismo institucionalizado difere do racismo individual e ocorre em nível inter-relacional, baseado em preconceito pessoal. O racismo institucionalizado implica em preconceito, estereótipos e poder. Ele também tem a ver com procedimentos institucionais e regulamentos discriminatórios na forma como são implementados, reforçando a desigualdade racial e perpetuando o privilégio branco.
"Racismo institucional" ocorre quando uma organização ou instituição coletivamente deixa de oferecer um serviço adequado e profissional às pessoas por causa da sua cor, cultura ou origem étnica. Ele pode ser visto ou detectado em processos ligados a oportunidades na carreira profissional, oportunidades de treinamento e capacitação, assistência médica e educação formal, por exemplo. Instituições têm poder de recompensar ou penalizar, oferecer oportunidades para alguns e negá-las a outros.5
O racismo institucional é sistêmico e não simplesmente resultante da atuação de indivíduos racistas numa organização. Até mesmo organizações lideradas e operadas por pessoas não racistas, em nível pessoal, podem ser racistas em termos institucionais por causa das suas práticas e por deixarem de oferecer a todas as pessoas igual oportunidade e acesso aos serviços.
As igrejas também são afetadas pelo racismo institucionalizado. Em muitas situações, instrumentos musicais nativos não são permitidos durante o culto. Somente se utilizam tradições eclesiásticas européias ou ocidentais, ou maneiras de ser não pertencentes à cultura e às expressões locais. Elas negam a identidade do povo local e sua genuína expressão no culto.
• Interseção de fatores como raça e etnia com outras características determinantes. O racismo e a discriminação racial ocorrem em função de raça, cor, descendência, origem étnica e nacional. As vítimas podem sofrer de formas múltiplas e agravadas de discriminação em função de outros motivos relacionados, como religião, idioma, idade, sexo, orientação sexual, habilidades (ou deficiências), origem social, opiniões políticas ou outras, etc. Uma análise adequada da complexidade do racismo hoje em dia precisa levar em consideração a sobreposição de todos esses fatores. Outros estudos, como o estudo sobre Identidade Étnica, Identidade Nacional e a Unidade da Igreja, atualmente empreendido pelas equipes do CMI para Fé e Ordem, e Justiça, Paz e Criação, estão contribuindo para que as igrejas compreendam melhor essa questão.
AS IGREJAS TÊM DECLARADO QUE O RACISMO É PECADO.6
O racismo é pecado porque:
• Ele nega a fonte por excelência da humanidade - a imagem de Deus nos seres humanos.
• Ele destrói a semelhança de Deus em cada pessoa e assim repudia a Deus, o criador.
• Ele repudia a criação e o fato de ela ser boa criação.
Todos os seres humanos, independentemente de religião, raça, nacionalidade, cor, credo ou gênero, são imagens vivas de Deus, intrinsecamente merecedores de respeito e dignidade. Sempre que seres humanos deixam de tratar outros e a criação com este respeito, estão insultando a Deus, o Criador.7
O racismo é pecado porque:
• Ele presume que o seres humanos não sejam iguais perante Deus e não sejam parte da família de Deus,
• Ele é contrário ao ensinamento bíblico,
• Ele nega a justiça mais básica e a dignidade humana.
O racismo é pecado porque:
• É uma negação escancarada da fé cristã,
• É incompatível com o evangelho,
• É uma violação flagrante dos direitos humanos.
O racismo é pecado porque:
• Ele nos separa de Deus e de outros seres humanos,
• Nos deixa cegos para a realidade do sofrimento das pessoas, ao passo que a igreja é uma comunidade de discípulos que deveria reagrupar-se e reconstituir-se constantemente em torno de questões do sofrimento.8
• Ele perpetua atitudes e práticas racistas bem como o racismo institucional.
Temos confessado que o racismo é pecado não só como cristãos individuais, mas também como igrejas. Afirmar que o racismo é pecado tem uma implicação radical para as igrejas: o compromisso radical de superá-lo.
