3 de out. de 2008

Relatório das questões colhidas da assembléia ecumênica

JORNADA ECUMÊNICA – JUSTIÇA TRANSFORMADORA – Ser Igreja e superar o Racismo
30 de setembro de 2009 – Auditório do P. 09- PUCRS

Relatório das questões colhidas da assembléia ecumênica (auditório)

1. Como vivo e percebo no meu cotidiano social, eclesial e familiar a questão do racismo na diversidade étnica, cultural e religiosa, seguindo a provocação do Reverendo Sant’Anna?

· Constatamos que o preconceito ainda é muito forte na mentalidade e na realidade social cotidiana. Diante deste preconceito não sabemos muito bem como agir para transformar esta situação; o que torna ainda mais difícil o combate ao racismo são aquelas pessoas que mesmo sendo vítimas do preconceito, acabaram introjetando a mentalidade do agressor e não percebem mais sua situação.
· O racismo pode ser visto também como um choque de culturas. O racismo é recíproco: de brancos para com negros bem como de negros para com brancos.
· O que significa a concessão de cotas para negros e índios? Não seria uma agressão a dignidade destes? Isto não possibilitaria pensar que eles não teria capacidade de ingressar no meio acadêmico por si mesmos? Ainda, quando se concede cotas ataca-se apenas o fenômeno e não as causas. Não seria mais correto oferecer um auxílio financeiro então em vez de cotas?
· Quantos negros estão no meio eclesial, nas estruturas de poder, de igreja, de escola? Vocações específicas...
· A sociedade é complexa, confusa nos relacionamentos inter-racial, inter-religioso, no repartir o conhecimento com as classes sociais que formam a sociedade brasileira;
· cultura: só branco pode ter cultura, poder. O negro possui as mesmas qualidades.
· Dificuldade de trazer negros, dificuldade de chegar ou de acolher: ruas cheias, igrejas sem negros;
· racismo dentro de casa. Por exemplo, o marido de uma pessoa é confundido por um caseiro;
· incentivo a identidade racial das pessoas (si mesmas)
· de modo geral (me comporto) com bastante indiferença e inconscientemente. Não participo de nenhuma iniciativa ou movimento desta linha;
· o mais complicado é no ambiente familiar, piadas, preconceitos... velados;
· há outras formas de preconceitos e “exclusão” (MST...) não somente o negro;
· na sutileza das relações, brincadeiras, comentários depressivos... na informalidade, demonstramos que o racismo infelizmente está presente e muito próximo de nós, nossas casas e Igrejas;

2. Como poderíamos articular melhor a entrada de negros e indígenas no convívio comunitário?
· Divulgação mais ampla da cartilha (faculdades, empresas, movimentos sociais);
· Divulgação pública de todo ato racista e/ou discriminatório utilizando-se da mídia;
· Ter aproveitamento dos espaços, das paróquias para discutir questões discriminação e violência;
· dar continuidade a esses encontros de estudo e reflexão para chegar a propostas concretas e vivenciais;
· dar atenção especial às crianças em especial as negras, para pagar os pecados;
· ta na hora de a Igreja ordenar/incentivar momentos, de seminários e convivência de obreiros. Força de cima para mover;
· Fabricação de uma cartilha que fale das religiões afro; Trabalho interno nos grupos afro para não haver racismo de negro pelo branco;
· fazer regularmente encontros dos centros de teologia e estudantes ecumênicos;
·
· Como pessoas que vivem a teologia no dia a dia, como estudantes e lideranças de comunidades, o que vislumbramos para a continuidade deste processo por transformação e reconciliação?
· Assumir lutas conjuntas, por ex: direitos à educação universitária, à alfabetização, ao acesso a remédios.
· aqui em Porto Alegre temos a Romaria das Águas e N. Sra Aparecida (12/10), que é ecológica e macroecumênica ao mesmo tempo. Como Igrejas participar ativamente ai!
· SUGESTÕES: uma cadeira que dê oportunidade para conhecer melhor as questões negra, indígena;
· criação de espaços para espandir na prática (cultural, religiosa, musical);
· para que as Igrejas como instituições se coloquem no meio do povo ajudando por em prática (não somente em documentos);
· Agenda midiática, na discussão e debate com o 3º setor, incluir a pauta da mídia, criança e adolescência. Como preocupação dos jornalistas – adotar o mesmo método na questão de racismo; Existe alguma estratégia? O Reverendo Sant’ Anna devolveu o desafio para o público e para a professora de Jornalismo que levantou a questão. Como poderíamos hoje trabalhar as diversas questões, violência, sexual, discriminação;
· Penso que continuar tomando iniciativas em questões e encontros ecumênicos, trazendo presente tema da nossa realidade, as dificuldades, as dificuldades e também as luzes. É um ótimo passo esse grupo de jovens de diversas religiões que se encontrarão. Agir no pequeno e pensar no grande, a partir da realidade, para que não escutemos a expressão: “ é para inglês ver”. Que nossa teologia seja colocada em prática como agente de transformação;
· Conhecendo a realidade, integrando nas comunidades como pessoas que mesmo com limitações querem uma transformação na Igreja Local, valorizando a cada pessoa, promovendo momentos comunitários, participando ativamente de momentos sociais, políticos e culturais. Valorizando e planejando junto com um diálogo entre a Igreja e as Igrejas, abrir espaço para os jornais e outras pessoas que querem uma verdadeira mudança. Aproveitar os momentos ecumênicos;
· primeiro precisamos estar verdadeiramente conscientes da riqueza cultural da diversidade étnica e cultural, desprovidos/as de preconceitos e críticas de nossa realidade. A partir desta consciência, podemos (devemos) procurar desconstruir os preconceitos e “medos” existentes em relação a outras etnias e culturas, especialmente a negra. Uma vez participando de discussões e movimentos relacionados ao problema; outra, em nosso dia-a-dia irmos desconstruindo os discursos discriminatórios, que vão desde frases e nomenclaturas preconceituosas até posturas egoístas. Aos movimentos já existentes cabe divulgar mais suas ações e possibilidades de trabalho. As igrejas incluindo a minha IECLB, precisam se posicionar mais claramente, e não apenas isso, mas fazer da sua prática e da prática de suas comunidades reflexo de seu posicionamento.

Sistematização:
Ezequiel de Souza
Edison da Costa
Reinaldo João de Oliveira
Humberto Gonçalves
Selenir Corrêa Gonçalves Kronbauer
Rafael Rosseto

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